A África Ocidental é líder mundial na produção de cacau: Costa do Marfim, Gana e Nigéria respondem por cerca de 60 % da oferta global. O Brasil, apesar de ter tradição na cultura, ocupa posição modesta em volume, mas se destaca pela qualidade e sustentabilidade. Veja as principais diferenças.
Volume versus qualidade
Os países africanos cultivam grandes áreas com cultivares de alta produtividade, priorizando volume. Muitas propriedades são monoculturas e enfrentam problemas de uso intensivo do solo e trabalho infantil. No Brasil, predomina o sistema cabruca, em que o cacau é plantado sob a sombra de árvores nativas, contribuindo para preservar a Mata Atlântica. Essa prática reduz a produtividade, mas confere perfil sensorial mais complexo, valorizado por chocolatiers.
Tecnologia e sustentabilidade
Enquanto a África investe pouco em pesquisa por clones resistentes, o Brasil desenvolveu variedades adaptadas às principais pragas e doenças e incentiva certificações como Rainforest Alliance e Orgânico. Produtores brasileiros obtêm prêmios adicionais ao vender cacau de origem rastreada.
Desafios regionais
A África enfrenta doenças devastadoras como o swollen shoot virus e enfrenta baixa remuneração aos produtores. O Brasil lida com custos elevados de mão de obra e logística, além de competição interna com outras culturas. A recuperação das lavouras baianas pós‑vassoura‑de‑bruxa serve de exemplo de resistência e inovação.
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