No início de 2025, os contratos futuros de cacau na bolsa ICE de Nova York e de Londres atingiram níveis nunca vistos: mais de US$ 11.000 por tonelada, quase quatro vezes o valor do ano anterior. A disparada teve origem em uma crise de oferta concentrada na África Ocidental, que responde por cerca de 60% do cacau do mundo.
Colheitas frustradas na África
Costa do Marfim e Gana — os dois maiores produtores globais — enfrentaram secas severas, chuvas irregulares e surtos do cacao swollen shoot virus, que destrói os cacaueiros. Sem frutos suficientes, as indústrias locais reduziram as entregas e os estoques mundiais caíram a mínimas históricas, pressionando o preço para cima.
Saída de especuladores e volatilidade
Diante das oscilações extremas, fundos de investimento abandonaram posições no mercado de cacau. A queda no volume negociado amplificou a volatilidade: qualquer notícia sobre clima ou logística passou a provocar saltos bruscos de preço, em ambos os sentidos.
Impacto no Brasil
Embora o Brasil não seja grande exportador de cacau in natura, a crise global beneficiou o produtor local com preços altos — a arroba na Bahia e o quilo no Pará subiram forte. Em compensação, a indústria nacional de chocolate sofreu com custos elevados e queda no faturamento, repassando parte da conta ao consumidor. Veja como isso chega à barra de chocolate.
E agora?
Os preços tendem a seguir elevados enquanto a produção africana não se recuperar e os estoques permanecerem baixos. No médio prazo, investimentos em novas áreas no Brasil e em clones mais resistentes são a aposta para suprir o déficit. Acompanhe o histórico de preços e os fatores que movem a cotação.


