A história do cacau no Brasil se confunde com a história da Bahia. A partir do fim do século XIX, a lavoura cacaueira se espalhou pelo Sul do estado e transformou cidades como Ilhéus e Itabuna em prósperos centros comerciais — o "ouro negro" que inspirou a obra de Jorge Amado. Por décadas, a Bahia foi disparada a maior produtora do país.
A era de ouro e a vassoura-de-bruxa
O apogeu durou até o fim dos anos 1980. Em 1989, foi confirmada no município de Uruçuca a chegada da vassoura-de-bruxa, doença causada pelo fungo Moniliophthora perniciosa, que ataca flores e frutos e impede a formação das amêndoas. A praga devastou a produção baiana, derrubou a renda de milhares de famílias e levou ao abandono de muitas fazendas. A Bahia, que chegou a produzir mais de 400 mil toneladas, viu a colheita despencar.
Renovação: cabruca, cacau de origem e bean-to-bar
A recuperação veio da pesquisa científica — com clones mais resistentes — e de um novo posicionamento de mercado. Muitos produtores mantiveram o sistema cabruca, em que o cacau cresce sob a sombra da Mata Atlântica nativa, conciliando produção e conservação. Em vez de competir só por volume, o Sul da Bahia passou a apostar em cacau fino de origem e em chocolates bean-to-bar, que rendem prêmios internacionais e preços bem acima da média.
A Bahia hoje
Em 2024 a Bahia respondeu por cerca de 42% da produção nacional (perto de 123 mil toneladas), em um empate técnico com o Pará, que assumiu a liderança graças à Transamazônica. Regiões como Wenceslau Guimarães, Mutuípe, Gandu e Camacan seguem entre as principais. Na Bahia, o produtor negocia o cacau em arroba (15 kg) — acompanhe a cotação do cacau na Bahia hoje.
Desafios atuais
Mesmo com a retomada e os preços recordes de 2024–2025, o setor convive com infraestrutura deficiente, estiagens mais frequentes e a concorrência com outras culturas e estados. Ainda assim, o cacau de qualidade baiano é hoje um dos diferenciais do país — entenda também a produção de cacau no Brasil e por que o preço disparou em 2025.


