O preço pago ao produtor de cacau no Brasil não nasce aqui: ele é um reflexo do mercado internacional, ajustado pelo câmbio e por uma série de custos da cadeia. Entender essa formação ajuda a interpretar a cotação e a antecipar movimentos.
1. O ponto de partida: a bolsa de Nova York
O cacau é uma commodity global, negociada em dólares por tonelada nas bolsas ICE de Nova York (a referência mais citada, o "cacau NY") e de Londres. É lá que se forma o preço internacional — fortemente influenciado pela oferta da África Ocidental. Veja o preço internacional do cacau hoje.
2. O câmbio entra na conta
Como a referência é em dólar, o câmbio é decisivo. Para achar a paridade em reais por arroba, multiplica-se o preço em US$/tonelada pelo dólar e por 0,015 (15 kg ÷ 1.000 kg). Quando o dólar sobe, o valor em reais pago ao produtor tende a subir — mesmo que o preço internacional fique parado.
3. O deságio (basis): por que o produtor recebe menos
O produtor não recebe a paridade cheia de Nova York. Dela são descontados frete, impostos, classificação por qualidade e a margem da indústria — o chamado deságio ou basis. Por isso o preço local na Bahia ou no Pará fica abaixo da cotação internacional convertida.
4. A referência diária no Brasil
No dia a dia, a cotação brasileira vem de fontes públicas do mercado físico, acompanhadas por órgãos oficiais — a CEPLAC (órgão federal do MAPA) e as secretarias estaduais de agricultura da Bahia (Seagri-BA), do Pará (SEDAP) e do Espírito Santo (Seag-ES/Incaper) —, que acompanham o preço nas três principais regiões. Diferentemente do café, o cacau não tem um indicador diário do CEPEA. Acompanhe os fatores que influenciam o preço e o histórico.


